terça-feira, 6 de setembro de 2011

Gêneros e Tipos Textuais: Projeto de Ensino

PROJETO: OS TEXTOS NOSSOS DE CADA DIA[1]
Componente curricular: Língua Portuguesa
Conteúdo: Tipos e Gêneros Textuais
Ano: 9º ano, EF II
Tempo estimado: Um bimestre (40 aulas)
Material necessário:
Objetivos: 
Identificar tipos e gêneros textuais.
Estabelecer conexões de complementaridade entre tipos (organização do texto) e gêneros textuais (prática social).
Produzir textos levando em conta as características dos tipos e gêneros textuais.

1ª ETAPA
1) Resgatar o saber imediato dos alunos sobre os três tipos de texto desenvolvidos na escola.
a)           Questionamento inicial: O que é narração, descrição e dissertação?
b)           Classificação de textos com o tema Adolescência, cada um predominantemente formado por uma sequência tipológica: Adolescer (prosa) de Maria Mariana, Aviso (poema) de Carlos Queiroz Teles, Identidade (poema) de Pedro Bandeira, Lilibel (poema) de Antônio Siqueira Silva, Teen Pinhos (cartoon) de Pedro Angeli (SEED/PR, 2005).
c)           Produção de três textos (narrativo, descritivo, dissertativo) com a temática Adolescência a fim de perceber se os alunos o fazem automaticamente ou percebem as características peculiares a cada um.
2) Chamar a atenção para a natureza linguística da composição dos textos produzidos por eles e para a dos textos que circulam na sociedade em geral.
a)           O que faz um texto ser classificado como narrativo, ou descritivo ou dissertativo?
b)           Levantamento de hipóteses/características de cada tipo textual para a busca de novas informações capazes de solucionar o problema.
3) Sistematizar os conceitos de narração, de descrição e de dissertação.
a)           Narração – Ler, discutir o texto Linda de morrer de Leo Cunha (AAA3a[2], 2008, pp. 62-64) e responder a questões que conduzam à reflexão sobre as características do texto narrativo (mudanças de estado, relação de anterioridade e posterioridade entre os fatos narrados, relação de causa e efeito) (TP3[3], 2008, p. 105).
b)           Descrição – Ler, discutir o texto Trezentas onças de João Simões Lopes Neto (AAA3a, 2008, pp. 65-66) e responder a questões que apontem as características de um texto descritivo (aspectos físicos ou psicológicos em simultaneidade) (TP3, 2008, p. 105).
c)           Dissertação – Ler, discutir o texto Vida inteligente entra pela boca de Frei Betto (AAA3p, 2008, pp. 71-73) e responder a questões que apresentem as características do texto dissertativo (descrição, interpretação, explicação ou exposição de ideias ou conceitos) (TP3, 2008, p. 125).
4) Expressar o saber mediato sobre o assunto desenvolvido nas etapas anteriores.
a)           Narração – Montar a sequência da letra da música Eduardo e Mônica do grupo Legião Urbana, distribuída em trechos recortados, de acordo com as transformações de estados presentes na canção. Confirmar a ordenação dos fatos com a audição da música.
b)           Descrição – Produzir texto oral de um objeto através de um jogo formado por dois grupos. Um grupo deve dizer secretamente ao representante do outro grupo o nome de um objeto. Ele deve descrevê-lo para o seu grupo sem dizer o nome. O grupo deve identificar o objeto pela descrição. Ganha ponto o grupo que adivinhar, dentro do prazo estipulado, o objeto descrito. Findo o jogo, propor que cada um escreva um texto descrevendo um objeto de grande valor pessoal. O desafio é dar o maior número de informações possíveis, mas identificá-lo apenas na última linha do texto. Fazer uma rodada de leitura em voz alta. Estimular a participação dos outros alunos na leitura, com comentários e opiniões sobre clareza, objetividade, etc. (TP3, 2008, p. 109).
c)           Dissertação – Ler um texto que é um comentário sobre o filme Doze homens e outro segredo da sessão Veja recomenda nas páginas finais da revista Veja. Responder a questões a fim de que os alunos se aproximem de outras realizações do texto dissertativo. (AAA3a, 2008, pp. 74-75). Os alunos individualmente devem fazer um comentário (orientação para o grande público, não especialista no assunto) sobre o filme Sociedade dos poetas mortos com Robin Willians e expor em um mural da sala.
d)           Após cada atividade realizada, discutir com os alunos sobre a relação que fazem dos textos produzidos com a teoria referente a cada uma das sequências tipológicas. Que eles expressem sinteticamente o novo saber aprendido com evidências distintas do saber apreendido no início da fase.

2ª ETAPA
1) Resgatar o conhecimento dos alunos em relação ao caráter heterogêneo dos textos.
a)           Ler o trecho inicial de um conto de Mário de Andrade: Conto de natal. Responder a questões que auxiliem os alunos a perceberem sequências narrativas e descritivas no mesmo texto (AAA3a, 2008, pp. 67-69).
b)           Os alunos podem detectar trechos narrativos e descritivos, mas talvez não consigam depreender o caráter não puro do texto.
2) Evidenciar a predominância de um tipo textual num texto com marcas de outros tipos textuais mesmo que em menor densidade.
a)           O texto trabalhado foi classificado como narrativo. Como, então, ele pode apresentar traços descritivos?
b)           Discutir o problema para compreender que um texto geralmente é tipologicamente heterogêneo (variado).
3) Evidenciar dois pontos fundamentais para o trabalho com gêneros e tipos textuais (o caráter não puro dos textos e alguns tipos predominam de acordo com o tipo de sequência de base).
Ler e analisar o texto Composição: o salário mínimo de Jô Soares. Formar grupos com três ou quatro alunos. Metade dos grupos deve enumerar argumentos para que o texto seja considerado um exercício de redação escolar. A outra metade deve enumerar argumentos que mostrem não se tratar de um exercício escolar. Responder as seguintes questões para discussão nos grupos: Pense em outros textos que você conhece bem e compare-os com o de Jô Soares. O que você pode observar de semelhante? O que você pode observar de diferente? Que sequências tipológicas aparecem no texto? Destaque duas de cada tipo que você encontrar. Qual é a predominante? Por quê? Voltando ao grupo maior, sintetizar as impressões que a leitura do texto causou. As apresentações de cada grupo menor vão originar um debate oral sobre as duas posições, o que vai ressaltar como sua composição tipológica não é nem homogênea nem previsível (TP3, 2008, pp. 194-196).
4) Expressar o saber mediato a respeito da heterogeneidade dos textos.
a)           Apresentar aos alunos um foto. Propor uma conversa sobre o que veem. Fazer perguntas e pedir opiniões. Discutir sobre a foto e solicitar que elaborem um pequeno parágrafo descritivo. Em seguida, solicitar que elaborem um pequeno parágrafo narrativo sobre a mesma foto, imaginando ações que possam estar ocorrendo, ou tenha ocorrido. Propor a articulação entre as ideias dos dois parágrafos, fazendo ajustes na escrita. Solicitar opiniões dos alunos sobre a cena descrita e a situação narrada. Pedir aos alunos para voltarem ao início do texto e acrescentarem uma ideia que conduza o “olhar” do leitor para a opinião que colocaram no final do texto. Analisar com os alunos como as sequências tipológicas descritivas, narrativas e dissertativas integraram o texto produzido (TP3, 2008, p. 124).
b)           Espera-se que os alunos compreendam após esse trabalho o caráter não homogêneo da maioria dos textos que circulam no cotidiano deles e a predominância de uma sequência tipológica.

3ª ETAPA
1) Resgatar o saber imediato do aluno em relação à diferença entre tipos e gêneros textuais.
Comparar vários gêneros textuais que apresentem, predominantemente, o mesmo tipo textual: poema Quadrilha de Carlos Drummond de Andrade e crônica Era uma vez de Luis Fernando Veríssimo (narrativos), poema Cidadezinha qualquer de Carlos Drummond de Andrade e provérbio suíço (descritivos), propaganda do site www.clickarvore.com.br e reportagem Projeto Tamar (dissertativos). Fazer uma leitura silenciosa de cada um dos textos. Em duplas, os alunos deverão classificar as sequências tipológicas predominantes em cada um deles. A atividade poderá causar estranhamento porque normalmente os alunos conhecem os gêneros com as suas nomenclaturas oficias, mas podem não compreender como eles podem receber ao mesmo tempo duas nomenclaturas, ou seja, uma propaganda ser um texto dissertativo.
2) Superar o conhecimento imediato que os alunos detêm sobre o assunto.
Por que um determinado gênero que já possui uma nomenclatura oficial pode ser classificado também como uma sequência tipológica narrativa, ou descritiva ou dissertativa?
3) Mostrar aos alunos que existe uma infinidade de gêneros textuais com as características tipológicas narrativas, descritivas e dissertativas.
a)           Esclarecimento aos alunos de que a expressão “tipo de texto” é usada erroneamente para designar o que é um gênero textual.
b)           Apresentação de um quadro baseado no quadro de agrupamento de gêneros (Na ponta do lápis, 2007, p. 7) elaborado por Schneuwly e Dolz (2004).
4) Expressar o saber mediato sobre gêneros textuais.
a)           Apresentar o vídeo Gêneros Textuais: http://www.youtube.com/watch?v=v8GLjmR-eP0 (Gêneros Textuais). As imagens destacam a prática social de textos no cotidiano.
b)           Os alunos deverão trazer diferentes gêneros de textos do cotidiano (virtuais ou não) direcionados para as temáticas adolescência, amor, saúde, cinema, trabalho, meio ambiente. (Selecionar alguns para serem trabalhados na atividade). Organizar os alunos em grupos a fim de discutirem as características linguísticas, a função social (finalidade, destinatários, conteúdo) para classificarem quanto aos seus gêneros e às sequências tipológicas predominantes. Cada grupo escolherá um dos seguintes gêneros para abordar uma das temáticas trabalhadas em sala: entrevista, notícia, poema, conto, crônica, propaganda, canção, dança, peça teatral. O professor, diante da escolha de cada grupo, deve possibilitar-lhe a caracterização do gênero a ser trabalhado, utilizando conhecimentos de artes e educação física para as produções como propaganda, canção, dança, peça teatral, levando em conta as etapas de revisão e reescrita das produções escritas (neste momento, o objetivo não é trabalhar individualmente cada gênero, mas observar se os alunos distinguem a função social dele e a sua coexistência com as sequências tipológicas). Escolher com os alunos o público-alvo: colegas da turma, de outra turma do mesmo ano ou colegas do 1º ano do ensino médio, internet (youtube) para compartilharem o conhecimento que construíram.

 AVALIAÇÃO
Ao longo do projeto, notar se os alunos identificam tipos e gêneros textuais, estabelecem conexões de complementaridade entre tipos (organização do texto) e gêneros textuais (prática social). Na hora da escrita, verificar se produzem os textos levando em conta as características dos tipos e gêneros textuais.
Referência Bibliográfica
CALDAS, Lilian Kelly. Trabalhando tipos/gêneros textuais em sala de aula: uma estratégia didática na perspectiva da mediação dialética. Disponível em: http://www.alb.com.br/anais16/sem03pdf/sm03ss16_09.pdf
Coletânea de textos: língua portuguesa, sala de apoio à aprendizagem / Paraná. Secretaria de Estado da Educação. Superintendência da Educação. Departamento de Ensino Fundamental. - Curitiba: SEED - Pr., 2005. - 65p.
MARCHUSCHI, L. A. Gêneros Textuais: definição e funcionalidade. Disponível em: http://www.proead.unit.br/professor/linguaportuguesa/arquivos/textos/Generos_textuias_definições_funcionalidade.rtf
Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: língua portuguesa/Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC/SEF, 1998.
Programa Gestão da Aprendizagem Escolar - Gestar II. Língua Portuguesa: Atividades de Apoio à Aprendizagem 3 - AAA3: gêneros e tipos textuais (Versão do Aluno). Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2008.
Programa Gestão da Aprendizagem Escolar - Gestar II. Língua Portuguesa: Atividades de Apoio à Aprendizagem 3 - AAA3: gêneros e tipos textuais (Versão do Professor). Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2008.
Programa Gestão da Aprendizagem Escolar - Gestar II. Língua Portuguesa: Caderno de Teoria e Prática 3 - TP3: gêneros e tipos textuais. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2008.
SCHNEUWLY, Bernard, DOLZ, Joaquim. Gêneros orais e escritos na escola. Trad. e org. Roxane Rojo e Glaís Sales Cordeiro. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2004.


[1] Elaborei essa atividade inicialmente como proposta do Sala de Formadores (projeto de formação continuada para professores formadores) no Centro de Formação e Atualização dos Profissionais da Educação Básica – CEFAPRO de São Félix do Araguaia-MT a partir do estudo temático “Significação do conteúdo: da teoria à prática” em novembro de 2010. Agora alterada e adaptada para uma das provas dissertativas da disciplina Tendências Atuais da Educação, ministrada pela professora doutora Vívian Rio, na pós graduação em Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa pela Universidade Gama Filho – SP.
[2] Atividades de Apoio à Aprendizagem 3 – AAA3: gêneros e tipos textuais (Programa Gestão da Aprendizagem Escolar – Gestar II).
[3] Caderno de Teoria e Prática 3 – TP3: gêneros e tipos textuais (Programa Gestão da Aprendizagem Escolar – Gestar II).


Judite Ferreira Souza


SFA-MT,  31/05/2011

Um comentário:

  1. Este projeto de ensino foi feito no Sala de Formador e depois adaptado para avaliação na pós. Entretanto, não fui totalmente feliz na proposta porque a professora solicitava um plano de aula em que o ensino da língua fosse articulado com o uso das Tics.Fiz apenas uma pequena utilização dela no final do projeto, mas ela não foi o foco da proposta.

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